Rota da Informação: Um Trajeto de Aventuras.

Rota da Informação

774 km em 20h sobre uma Moto.

Ao ler o subtítulo acima pensa-se ,"Mas, não deu 40 por hora, em média!" É verdade, mas pergunte à YBR (125 cc) o que ela achou dessa maratona... Mais de um terço desse percurso foi em estradas de terra, onde superabundaram água e areia, dois inimigos fidagais de motos urbanas, e cada trecho de terra deixou sua marca.
Esse percurso foi feito nos dias 16 e 17 de Abril de 2015.

Sete trechos de estradas de terra.

1º Trecho: Manga a Montalvânia
Assim que deixei o asfalto, 45 km depois de Manga, extenderam-se à minha frente mais de 20 km de terra, até Montalvânia. Estrada difícil de trafegar sobre uma moto urbana, mas não impossível. Só que, rodados poucos quilômetros a mangueira de gasolina da YBR se soltou. Demorei alguns minutos para descobrir, tempo que me fez perder muito combustível.
Recoloquei a mangueira em seu lugar, mas esta não se firmou mais, pelo que tive de rodar mais lentamente, até Montalvânia, onde comprei nova mangueira.
A cidade estava vivendo os preparativos de uma grande festa, com muita gente nas ruas! Não me demorei muito, pois tinha muita estrada pela frente.
Me informei sobre a estrada para Miravânia e pé na estrada...

2º Trecho: Montalvânia a Miravânia


Cerca de 70 km de muita areia. Após passar pela comunidade de Capitânia, na primeira bifurcação da estrada, uma placa confusa, meio coberta pelo mato, me fez pegar o caminho errado. Estranhando a estrada, em estilo boiadeira, resolvi me informar sobre o trajeto.

Incrível é que, sempre que você pega um caminho errado, os pontos de informação ficam muitos quilômetros adiante! Consegui informação em uma fazenda, dando-me conta que estava quase dez quilômetros pra dentro do caminho errado.
Voltei sobre meu rastro e peguei um atalho para voltar à estrada de Miravânia. Nunca vi tanta areia em minha vida!!!
Chegando à estrada certa, com menos areia e mais buracos e pedras, deu pra avançar bem, até uma nova bifurcação, com uma placa imensa, indicando que os dois caminhos levavam à Miravânia. Qual seguir?

Bem, como tenho o princípio de, na dúvida, seguir sempre pela direita, fiz isso... era o caminho mais longo!
Mas cheguei lá!

3º Trecho: Miravânia à Manga

A intensão era seguir direto pra São João das Missões, mas um jovem a quem pedi informações me desaconselhou. Falou-me ser mais sensato voltar à Manga e de lá seguir para São João. Aquiesci. Mais uns setenta quilômetros de areia se descortinavam à minha frente...
Mantendo-me sempre à direita, como também aconselhou-me o jovem informante, cheguei a uma várzea aconchegante. Parecia uma pintura de quadro de mascate! Resolvi colher novas informações, pelo que uma senhora, super simpática, ofereceu-me duas opções de estrada: seguindo em frente, naquela mesma estrada, eu encontraria uma nova bifurcação (entroncamento, como disse ela). Mantendo-me à esquerda eu chegaria à comunidade de Nhandutiba, e desta até a BR 135. Caso optasse pela direita, eu passaria pela comunidade de Pequi e seguiria direto para Manga, por um caminho mais curto.
Segui pela direita e, a uma certa altura, estrada de areia branca e fina, eu a 50 km por hora... cai uma chuva, rápida. Não deu tempo de reduzir a velocidade e, de repente eu estava deitado na areia, com a moto sobre mim, acelerada e banhando-me de gasolina! A mochila, cheia de jornais, arrefeceu a queda.
Nada grave. Apenas contusões nos joelho e ombro direitos.
Enlameado segui em frente. Passando novamente por Manga, fiz São João das Missões, Itacarambi, Januária e Pedras de Maria da Cruz. Nesta última passei a noite.

4º Trecho: Manga a São João das Missões
Com o corpo dolorido pela queda segui em frente. Apenas 21 km separavam-me de São João das Missões, através de uma sequência de buracos que, vez por outra deixava antever resquícios de uma estrada. Tive que ir devagar pois a alça da mochila quebrou-se, com a queda, e ao emendá-la ficou mais curta. Com isso ela forçava muito o ombro machucado e não alcançava o banco da moto.
Cheguei à cidade e deixando os jornais segui para Itacarambi.

5º Trecho: São João das Missões a Itacarambi
24 km até Itacarambi, pela BR 135. Por sorte a maior parte do trajeto é asfaltado. O asfalto é meio doido, hehehehe!... cheio de crateras que cabem uma bicicleta dentro!... mas bem melhor que a buraqueira anterior. Não deu pra correr muito, mas consegui ganhar tempo. O sol já declinava no horizonte quando peguei a estrada para Januária. Aí sim, asfalto de primeira!
Já passava das 17h quando cheguei em Januária. Deixei os jornais ali e parti acelerado pra Pedras de Maria da Cruz, onde pretendia passar a noite.

6º Trecho: Pedras de Maria da Cruz a São Francisco
68 Km de terra, poe uma estrada secundária, com pouca areia mas muito cascalho solto. Em determinada altura do trajeto cruzei com um ônibus e este forçou-me a sair da estrada. Quase levei um tombo daqueles! Não sei se no incidente ou se no trajeto, mas perdi a fivela de minha mochila e tive que improvisar um novo fechamento quando cheguei a São Francisco. Desta segui para Luislândia, em asfalto, pela rodovia MG 402. Passei por Brasília de Minas e, alcançando novamente a BR 135, cheguei à Japonvar e daí a Lontra. De volta a Japonvar peguei a estrada de acesso à São João da Ponte, também asfalto.
Deixando os jornais em São João da Ponte parti pra Varzelândia.

7º Trecho: Varzelândia a Verdelândia
50 km de estrada de terra, da qual eu tinha péssimas lembranças, pois já fizera o trajeto antes, de carro, nunca de moto. Varzelândia também se preparava para uma grande festa, mas eu não podia esperar. Peguei a estrada e, cerca de 10 quilômetros depois vi que minha amiga e companheira YBR estava sentindo os rigores da estrada: a alavanca de câmbio se soltou e a corrente caiu. Duas opções: ou voltar para Varzelândia e procurar uma oficina ou seguir em frente até Verdelândia, por mais de quarenta quilômetros de muita areia e muita água. Como eu já havia transposto a serra, optei pela segunda. A marcha estava travada em "terceira"...
Não perguntem como, mas depois de quatro horas eu estava em Verdelândia, em uma oficina de motos, hehehehe... Meia embreagem comeu em alta em todo o percurso e, entre escorregões em lama e tombos em areais, cheguei ileso ao meu destino. Glórias a Deus!!! Nunca orei tanto em minha vida!!! Deus respondeu, misericordiosamente...
Às 18h eu já estava em Jaíba, passando por meu amigo Bonifácio Hit do Kebra, em frente à Ciclogil...
No final do mês tem novo percurso, mais extenso.

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